Câmara debate criação do Dia Nacional da Lembrança do Holocausto

Representantes da comunidade judaica brasileira participaram em 27 de setembro na Câmara dos Deputados, em Brasília, de reunião para discutir a instituição do Dia Nacional da Lembrança do Holocausto.

A reunião foi convocada após a aprovação pela Comissão de Cultura, em março deste ano, do requerimento nº 87/2017, de autoria dos deputados Jorge Silva, Pedro Uczai e Lincoln Portela, para a realização de Audiência Pública sobre a criação da data.

O deputado Jorge Silva presidiu a reunião, que teve a participação de Tomás Venetianer, representante da Associação de Sobreviventes do Holocausto; Reuven Faingold, representante da Conib; Marcia Boukai, representante da Congregação Israelita Capixaba – CICAPI, que idealizou a iniciativa; e Luislinda Valois, ministra dos Direitos Humanos.

“Muitas minorias apropriam-se do termo Holocausto, mas Holocausto houve apenas um, o Holocausto do povo judeu. O conceito não pode ser minimizado, banalizado pelo público”, disse Faingold. Leia o pronunciamentona íntegra.

Venetianer relatou experiências que viveu em campos de extermínio nazistas e as situações trágicas por que passou. “Diante de vós fala um ser em extinção. Muito provavelmente, daqui a 10 anos sobreviventes do maior genocídio até hoje perpetrado no nosso planeta não mais existirão para transmitirem seus depoimentos”. Leia opronunciamento na íntegra. 

Marcia forneceu o embasamento histórico sobre o Holocausto e expôs os motivos da CICAPI para pedir a criação da data: “o desconhecimento da história é um terreno fértil que propicia fenômenos preocupantes. Para aqueles que sabem muito pouco a respeito do que aconteceu, é fácil trivializar, manipular, distorcer, e, inclusive, negar a sua ocorrência. (…) O Holocausto aconteceu em um mundo semelhante ao nosso. As ideias e os processos que convergiram para sua concretização dizem respeito a toda a humanidade”. Leia opronunciamento na íntegra.

Mourad Belaciano, da comunidade de Brasília, prestou importante apoio aos representantes judeus. Ele sugeriu à Conib a criação de um grupo temático para a discussão do Projeto de Lei, com vistas a emendas e pesquisa de datas, bem como o acompanhamento de iniciativas estaduais e municipais.

Também destacou o debate que houve em torno do uso do termo Holocausto, “questão que foi enfaticamente esclarecida por Reuven Faingold, para quem deve-se distinguir o fenômeno calculado, planejado e executado por uma ‘indústria da morte’, montada especificamente para liquidar e exterminar uma etnia e uma cultura, de outros massacres e genocídios”

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, se emocionou ao falar sobre a violência no Brasil, que afeta de forma ainda mais brutal a juventude negra.

Também falaram os deputados Jean Wyllys, que criticou, à luz da história judaica, o convite para debate, pelo clube A Hebraica,  de um deputado que representa as políticas de exclusão social, e Givaldo Carimbão.

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