Devemos assumir posições, mesmo que desagradem, diz Lottenberg

Cerca de 120 dirigentes comunitários voluntários e profissionais participaram neste domingo, 27 de agosto, no clube A Hebraica, da 2ª Convenção da Comunidade Judaica Paulista, realizada pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp).

O evento contou com a presença de diversos profissionais de renome e líderes comunitários, que discutiram temas como educação, tratamento do idoso, redes sociais e conflitos intracomunitários.

“O conflito não é um mal, mas precisa ser tratado. As instituições têm que ter lado e assumir posições nos diversos assuntos, mesmo correndo o risco de desagradar a uns e a outros em determinado momento.  Isso faz parte de uma trajetória histórica da Conib, as posições não são tomadas no calor da hora. Temos uma estrutura e aprendemos a trabalhar em conjunto com cada federada local. A palavra institucional deve ser de consenso. Devemos tornar nossa voz relevante”, afirmou o presidente da Conib, Fernando Lottenberg. Gilberto Meiches, vice-presidente da entidade; Eduardo Wurzmann, secretário-geral; e os diretores Ruth Goldberg e Milton Seligman também participaram do Convenção.

“Com um cenário comunitário polarizado, há risco de fragmentação”, disse o presidente da Fisesp, Bruno Laskowsky. “A Conib e a Fisesp precisam dar resposta de governança, dando voz aos vários núcleos”, prosseguiu.

Sobre a importância da Convenção, ele destacou: “Temos como principio representar institucionalmente nossa comunidade, de maneira apartidária e é muito importante para a Federação Israelita fazer esta devolutiva. Esforçamo-nos para trazer os grandes temas e buscar iniciativas práticas. Hoje, pudemos captar as diversas visões sobre temas cruciais para o futuro da nossa comunidade”.

No painel com tema “Como viver em um mundo polarizado?” Helena Mandelbaum, mestranda  em Mediação pelo IUKB-Institut Universitaire Kurt Bosh e advogada especializada em Direito de Família, falou sobre o papel da mediação na resolução de conflitos. Ela citou o rabino Jonathan Sacks para se referir ao mundo judaico: “Os judeus são ótimos oradores, mas péssimos ouvintes. (…) Somos como uma família estendida, devemos manter o respeito”. A jornalista Lilian Natal, especialista em comunicação integrada e gerente de Comunicação e Pesquisa da São Paulo Turismo, alertou sobre os riscos da exposição nas redes sociais.

No painel “O mundo em que vivemos”, com mediação de Ruth Goldberg e Ricardo Berkiensztat, o cientista político, professor e doutor em filosofia Fernando Schuler falou sobre democracia – “não considero que esteja em crise. Há na verdade um mal-estar” – e de como a tecnologia vem tendo um papel disruptivo nas instituições tradicionais:  “Hoje as pessoas passaram a ter voz direta, e as instituições que faziam o trabalho de filtrar as opiniões perderam muito do seu papel. A tecnologia empoderou as pessoas; porém, paga-se um preço por esta liberdade”.

O painel seguinte contou com mediação da presidente da Unibes, Celia Parnes e reuniu Renato Bernhoeft, fundador e presidente do conselho da Höft Consultoria, Hélio Zylberstajn, economista e professor da FEA-USP, e o secretário de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo Floriano Pesaro. Eles debateram as consequências do aumento da longevidade – gastos com saúde e aposentadoria -, do empobrecimento comunitário e da importância de se criar instituições comunitárias que possam substituam as famílias nos casos em que isso for necessário. Laskowsky observou que, em futuro próximo, 30% dos judeus de São Paulo serão idosos, e serão necessários equipamentos para seu cuidado.

O último painel contou com a participação da ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro Claudia Costin e mediação de Jacques Griffel e Ricardo Berkiensztat.  A especialista em políticas públicas destacou os desafios da educação no Brasil.  “Não vai haver um Brasil justo e a altura do potencial do país se não houver um forte esforço para que a educação melhore”.

Outro tema levantado foi o de como atrair mais alunos para a escola judaica, com o depoimento de duas famílias que optaram por não matricular seus filhos nelas.    “Se não valorizarmos as nossas escolas vamos ter uma grande dispersão em poucos anos. Precisamos reunir esforços para entender o que está acontecendo e atrair mais alunos”, destacou Griffel.

Há 15 escolas judaicas em São Paulo, duas das quais não ortodoxas: Alef-Peretz e Renascença, informou Griffel. Representantes de movimentos juvenis judaicos, que trabalham com educação informal, pediram sua inclusão nas próximas edições da Convenção para discussão deste tema.

“Parabenizo a Federação Israelita do Estado de São Paulo pelo excelente trabalho que vem fazendo e espero que todos continuem trabalhando juntos para promover as causas comunitárias e o Estado de Israel”, concluiu o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Dori Goren.

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