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CIP lança livro que destaca chegada a São Paulo dos judeus refugiados do nazifascismo

2018-12-10 - Uncategorized

“OIhares de Liberdade” é dedicado ao reconhecimento da Congregação Israelita Paulista – CIP como um lugar de resistência e memória. Hoje, com 82 anos de existência desde a sua fundação em 1936, a CIP é distinta pelo seu patrimônio arquitetônico, religioso e cultural.

As histórias de vidas publicadas, algumas no formato de testemunhos, foram registradas pela equipe do Núcleo de Estudos Arqshoah do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação – LEER/USP.

O livro é dividido em três partes. A primeira traz três artigos, “Liberdades e limitações do livre-arbítrio humano nas fontes do pensamento judaico”, “Mitos e leis” e “A vivência plena da liberdade”, escritos pelos rabinos Ruben Sternschein, Michel Schlesinger e Fernanda Tomchinsky Galanternik, respectivamente.

Na segunda parte, a professora Maria Luiza escreve sobre “CIP, espaço de liberdade e acolhimento”. Já a terceira parte, “Artífices da liberdade”, reproduz histórias de vidas de judeus refugiados no Brasil, registradas por pesquisadores do Núcleo de Estudos Arqshoah do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (Leer) do Departamento de História da FFLCH.

 “Este “Livro-Memorial” reúne histórias de vida com o intuito de não deixar esquecer o passado e as ações humanitárias dos fundadores da CIP, na sua maioria refugiados alemães do nazifascismo radicados em São Paulo, reunindo elementos importantes para a reconstituição das tradições judaicas, dos saberes, da cultura e das lutas pela (co)existência do povo judeu na Diáspora”, declara Maria Luiza Tucci Carneiro .

“Ao reconstituirmos as suas trajetórias históricas e as suas experiências junto ao espaço da CIP, procuramos demonstrar a capacidade que o ser humano tem de reabilitar a liberdade e a vida. Através do  livro OIhares de Liberdade , a CIP reafirma os seus princípios de permanente defesa de uma sociedade democrática e igualitária que é “inegociável”, como afirma Marcos Lederman, presidente da CIP, na abertura do livro.

Para o rabino Ruben Sternschein, “no pensamento judaico a liberdade é um imperativo, um dever, uma imposição. Ainda que sempre relativa, a liberdade é obrigatória para poder dar algum sentido e fazer alguma diferença dando conta de que valemos a pena. A primeira das liberdades é escolher viver . As seguintes, escolher como viver e quem ser. É o que teorizaram as escrituras e realizaram os sobreviventes que fundaram a CIP”.

“A repetição da narrativa do Êxodo bíblico se transformou na oportunidade de resgatar a sensação de que um dia fomos refugiados. Talvez ainda exista uma parte de nós que permanecerá estrangeira para sempre. Esta percepção é importante para que haja a renovação constante de nosso  compromisso com a liberdade. Ainda existem homens e mulheres, no século 21, que não atravessaram o Mar Vermelho. Esta obra de resgate das histórias de homens e mulheres que tiveram sua esperança na humanidade renovada, graças ao trabalho de acolhimento da Congregação Israelita Paulista, tem por objetivo nos alertar de que a travessia ainda não está completa”, destaca o rabino Michel Schlesinger.

“A sociedade precisa abrir espaço para a liberdade feminina e as mulheres precisam saber como ocupar esses espaços. Não adianta apenas termos o desejo de fazer, mas precisamos das ferramentas para isso. Esse espaço de liberdade também chegou para as mulheres aqui dentro da CIP”, destacou a rabina Fernanda Tomchinsky-Galanternik

Sobre a CIP

Fundada em 1936 por judeus que fugiram da Alemanha nazista, a Congregação Israelita Paulista (CIP), em São Paulo, surgiu com o objetivo de ajudar aqueles judeus que ainda permaneciam na Alemanha a escapar da perseguição promovida pelo regime de Adolf Hitler. Com isso, ela salvou muitas vidas. Mas esse não foi o único legado da instituição. Desde suas origens até hoje, ela possui uma trajetória marcada por significativas contribuições para a cultura e a educação na sociedade brasileira.

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