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49ª Convenção da Conib ganha brilho filosófico com presença de Bernard-Henri Lévy

2018-11-27 - Uncategorized

A Conib realizou, neste fim de semana em São Paulo, sua 49ª Convenção Anual, com uma série de eventos dedicados à comemoração simultânea pelos 70 anos de sua fundação, do Estado de Israel e da Declaração Universal de Direitos Humanos.

Fernando Lottenberg, presidente da Conib, avaliou o resultado: “A Convenção trouxe a oportunidade de uma reflexão muito aprofundada sobre os temas da comunidade judaica, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. O mundo está mudando rapidamente. No Brasil temos um quadro político novo e, no mundo, vemos o crescimento do populismo e do isolacionismo, com maior ocorrência de ações antissemitas em diversas regiões, inclusive em países onde não poderíamos imaginar esse tipo de ataque, como aconteceu recentemente em Pittisburgh, nos Estados Unidos.

No Reino Unido, temos a perspectiva de ascensão do líder trabalhista Jeremy Corbyn, com seu antissionismo radical e acobertamento de ações antissemitas em seu partido. Já em Israel, apesar das dificuldades para caminhar em direção a um acordo de paz, temos, paradoxalmente, um quadro regional de maior cooperação entre o Estado judeu e seus vizinhos, mesmo com aqueles com os quais o país não têm relações diplomáticas. É um mundo novo, e a convenção foi uma oportunidade de avaliarmos melhor todas essas questões, para agirmos de maneira ainda mais efetiva, no próximo ano”.

O jantar de gala da Convenção, ocorrido no salão do clube A Hebraica, contou com a presença de diversas lideranças judaicas e de autoridades nacionais, como o senador José Serra; a Vice-Presidente do STJ, Ministra Maria Thereza de Assis Moura; o Secretário de Assuntos estratégicos da Presidência da República Hussein Kalout; o Cônsul da França, Brieuc Pont; os deputados federais Arthur Maia e Eduardo Cury; o deputado estadual eleito, Heni Ozi Cukier;  Prefeito de São José dos Campos, Felipe Ramuth; o Secretário Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo, Daniel Annenberg; a Embaixadora Debora Barenbojm Salej; o Cardeal Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Scherer; o Professor e ex-chanceler Celso Lafer; o empresário e filantropo Elie Horn, entre muitos outros doadores, apoiadores e amigos.

O célebre filósofo, ativista, cineasta e dramaturgo francês Bernard-Henri Lévy disse ter ficado impressionado com a organização e ativismo da comunidade judaica brasileira, especialmente por parte da Conib. Como principal orador, Lévy falou sobre o seu livro “O Espírito do Judaísmo”, o Holocausto e a importância de se defender valores democráticos e liberais. “Israel é um exemplo disso. Não há outro país no mundo que acolha tanta multinacionalidade diante de constantes desafios e ameaças e que, apesar disso, consiga manter intacta a sua democracia”.

A intensa agenda começou na sexta (23), com uma programação no Hotel Tryp Iguatemi. Um painel reunindo o diretor da Conib, Milton Seligman e o jornalista e analista político Alon Feuerwerker, versou sobre o tema “A comunidade judaica e a nova conjuntura brasileira”. Em seguida, liderada pelo secretário da Conib, Rony Vainzof, Alexandre Pacheco da Silva e Mariana Feferbaum, da Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, apresentaram resultados da pesquisa sobre discurso de ódio. As atividades foram encerradas com a palestra de Sharon Nazarian, Vice-presidente da ADL (Anti-Defamation League), organização judaica norte-americana de defesa dos direitos humanos e combate ao antissemitismo. Nazarian falou sobre o trabalho da instituição em defesa dos direitos das minorias e os principais desafios que enfrenta hoje, na apresentação intitulada “Uma visão sobre antissemitismo dentro de uma perspectiva global e contemporânea”.

No domingo (25), Alberto do Amaral Júnior – doutor, livre docente e professor Associado de Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP – falou sobre a compatibilidade entre sionismo e a Declaração Universal de Direitos Humanos. Ele citou a importância do trabalho da filósofa Hannah Arendt na contextualização de termos como campo de concentração e totalitarismo. Falou sobre a importância da criação da Declaração Universal de Direitos Humanos, como veículo de definição de genocídio e de crimes contra a Humanidade e para a defesa de direitos individuais, sociais, econômicos e de gênero, bem como da contribuição de professores e acadêmicos judeus em sua formulação. Falou também sobre a eficácia na aplicação desses direitos, sobre o crescimento do nacionalismo e sobre a dificuldade de se compatibilizar os direitos coletivos e os direitos individuais. Falou também sobre a questão dos refugiados e apátridas, sobre o avanço do populismo, tanto de direita como de esquerda, e sobre os desafios para se evitar o que chamou de erosão das democracias liberais. Alertou sobre os riscos do totalitarismo, como forma de doutrinação capaz de levar à ruptura de valores e ao isolamento.

Ainda no domingo, a Conib encerrou sua convenção com um concorrido talk show, com Bernard-Henri Lévy sendo entrevistado por Fernando Lottenberg. Na conversa, aberta ao público que lotou o auditório da Unibes Cultural, BHL falou sobre influências em sua obra, valores judaicos, antissemitismo e Israel, encerrando assim, com chave de ouro, a programação da 49ª Convenção Nacional da Conib.

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